Institucional

História

Na antiga Rua da Consolação até onde hoje é a Av. Paulista, eram terras pertencentes a Ângela Vieira e num trecho da rua em sua parte mais baixa, foi edificada em 1799 a Igreja de Nossa Senhora da Consolação.

Dom Mateus de Abreu Pereira, bispo diocesano da época, foi quem recebeu o documento com a solicitação dos irmãos confrades e devotos e deu parecer favorável ao início da construção. No início uma pequena capela, numa elevação desviada da rua.

A região, bem diferente da época atual e onde foi erguida uma humilde capela, tinha uma cesso difícil devido ao barro, lama e grandes poças de água estagnadas, mas, a edificação da igreja trouxe bênçãos à aquela área que era muito afastado da cidade e sem moradores.

Com o passar dos anos o bairro foi se modificando e começaram a surgir obras públicas proporcionando um maior conforto aos moradores que começaram a surgir ao entorno da igreja e rua acima. Nesta mesma época a cidade se expandia e se desenvolvia no sentido a Pinheiros.

A Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e São João Batista começou a se dedicar e dar maior importância a Igreja. Em 1855, São Paulo foi atingida por um surto de cólera e a Igreja da Consolação foi posto de atendimento aos doentes, além de lugar de acolhimento no período de guerras. A Igreja da Consolação, faz parte da história política do Estado de São Paulo.

E assim com o passar dos anos muitos fatos contribuíram para a importância desta bela igreja em nossa história cultura e política.

Uma bela imagem esculpida em madeira e papel machê, foi colocada no altar mór, de pé sobre uma esfera estrelada e na mão direita um centro e no peito o Divino Espírito Santo. Atualmente essa obra de arte pode ser visitada no Museu de Arte Sacra de São Paulo. A sua origem ninguém sabe. Alguns estudiosos afirmam ser de origem portuguesa, porém, a versão mais aceita é a de que um padre agostiniano em viagem para Sorocaba deixou sobre o altar a  imagem com a finalidade de divulgar a devoção.

A cidade com o passar dos anos foi crescendo, mas o passar dos anos fez com que a pequena capela não aguentasse e acabou sendo demolida em 1907 e em seu lugar construiu-se a igreja que hoje conhecemos, cuja planta foi encomendada ao professor de arquitetura da Escola Politécnica Dr. Maximiliano, o mesmo que projetou a planta da Catedral da Sé e Santos)

CRONOLOGIA:

1799 -  Despacho favorável do Bispo diocesano Dom Mateus de Abreu Pereira ao requerimento de moradores do Caminho para Pinheiros para construção de uma Igreja;
1801- Foi inaugurada a Igreja Nossa Senhora da Consolação;
1840 - Primeira reforma da Igreja da Consolação, ocasião em que a imagem de sua padroeira seria transferida para a Igreja do Pátio do Colégio (permanecendo nesta até 1896);
1847 - Construção da Capela de Santa Cruz do Pocinho que seria filiada à Matriz da Consolação;
1855 - Instituição da Irmandade de Nossa Senhora da Consolação através do legado do padre Joaquim José da Silva Lisboa;
1861- Transferência da Matriz da Igreja de Santa Ifigênia para a Igreja da Consolação, até 1863, devido a reformas no prédio da primeira;
1871-  A Igreja da Consolação é constituída Matriz da Paróquia da Consolação. O primeiro vigário nomeado foi o cônego Carlos Augusto Gonçalves Benjamin, capitão e ex capelão dos corpos militares paulistas na Guerra do Paraguai;
1876 - Instituída a jurisdição da Igreja da Consolação sobre a Capela de Santa Cruz das Perdizes (até 1879) e Santa Cecília (até 1892);
1879-  Provisão do Cônego Eugênio Dias Leite como vigário da Consolação;
1883 - O Cônego Eugênio Dias Leite consegue autorização da Assembleia Provincial para extração de loteria afim de obter recursos para a reforma do prédio da Igreja;
1885 - Novas reformas no edifício da Igreja promovidas pelo vigário Cônego Eugênio Dias Leite;
1885 - Formação da Irmandade de São João Batista;
1886 - Construção da Capela do Divino Espírito Santo, filiada à Matriz da Consolação;
1891 - Construção da Capela de Santa Cruz, na rua Santo Antônio, filiada à Matriz da Consolação;
1893- Construção da Capela de São Miguel Arcanjo, na rua Antônio Prado, filiada à Matriz da Consolação;
1897- Construção da Capela de Santa Luzia, em Cerqueira Cezar, filiada à Matriz; 
1906- Provisionamento do padre Virgílio Morato de Gentil de Andrade como vigário da Igreja da Consolação;
1908 - Construção da Capela Santa Maria de Vila América;
1909 - Construção da Matriz Provisória;
1910 - Provisionamento do Cônego Francisco de Mello e Souza como vigário da Igreja;

A Igreja da Consolação possui um vasto acerco de arte sacra. Visitando esta belíssima igreja, se tem a oportunidade de deslumbrar obras de Oscar Pereira da Silva, onde no altar principal estão quatro belos quadros com passagens da bíblia e Benedito Calixto com obras na Capela do Santíssimo. Hans Bauer, contribuiu com seus afrescos, sendo o da Assunção de Nossa Senhora e o da Assunção da virgem.

Monsenhor Dr. Francisco Bastos, faz parte de grande importância na história da Igreja da Consolação. Assumiu a igreja em 1914, em meio as obras de reconstrução paralisadas, herdou dívidas gigantescas que iniciaram nas administrações anteriores.  Jovem e inexperiente, se viu no dia da posse, diante de oficiais de justiça cobrando uma dívida de 300 contos de réis, que deveria ser pago em 24h ou a igreja seria penhorada.

Travou uma luta nos tribunais com auxilio de paroquianos ilustres. Com muita perseverança e ajuda de paroquianos a dívida foi resolvida e a Igreja da Consolação incluiu em seu patrimônio o bem muito precioso; o terreno de 150.000 metros quadrados. Estava salva a Igreja da Consolação.

 

 

A Igreja da Consolação pode se orgulhar do seu acervo artístico, que se harmoniza com a arquitetura de estilo romântico-bizantino.

Merecem destaque:

- As torres góticas de 75 metros, que já foram as mais altas de São Paulo;

- O altar-mór, de carvalho, mármore branco e bronze, encomendado em Paris à Maison Forest;

- O carrilhão de cinco sinos – o maior, pesando 2 toneladas, em dó sustenido (Consolatrix); os médios, em fá (Santana) e em sol sustenido (São João Batista), e o menor, em lá sustenido (Santos Anjos) – soaram pela primeira vez em 8 de setembro de 1952, dia da festa da padroeira. O relógio, um dos maiores da cidade, foi construído pela firma inglesa J.B.K. – a mesma que construiu o famoso Big Ben;

- Os 45 vitrais coloridos feitos de chumbo e vidro pelas mãos dos artistas da Casa Conrado – a mais famosa e importante oficina do gênero já existente no país;

- Os ladrilhos em mosaico, importados de Hamburgo, Alemanha, de mármore de Carrara (Itália), que desenham a fachada da igreja;

- O maravilhoso som do órgão encomendado em Nápoles, Itália, um dos melhores de São Paulo;

- O  lustre central de 5 metros de diâmetro, em ferro batido, trabalho artístico característico do Liceu de Artes e Ofícios;

- A porta da entrada, verdadeira jóia trabalhada em ferro forjado batido, criação de três artífices – dois portugueses e um espanhol – serralheiros, que se dedicaram à obra durante 8 meses, em 1930.

- O interior da igreja, alto, amplo, sombrio e fascinante, acolhe o fiel num ambiente de extrema contemplação. As pinturas decorativas – passagens bíblicas ou imagens da vida terrena e espiritual dos santos – são assinadas por nomes consagrados, que emprestaram a sua arte e seus pincéis à beleza do templo. Entre eles:

- Edmundo Cagni não poupou detalhes na pintura mural que encima o altar-mór representando a glória de Nossa Senhora. Ele pintou também uma série de anjos, de nítida influência bizantina, segurando medalhões, cada um deles representando um sacramento.

- Hans Bauer cobriu os 500 metros quadrados da cúpula com as suas duas grandiosas pinturas murais – a da Assunção da Senhora e a da Anunciação da Virgem.

- Oscar Pereira da Silva é o autor das telas A Natividade do Senhor, A Descida da Cruz e a Visita a Santa Isabel, obras de 1926, que circundam o altar-mór. Á entrada da capela há também um painel desse mesmo artista, A Santa Ceia, também datada de 1926. Nessa mesma data, Oscar pintou, na parede externa da sacristia, um mural representando Anchieta e os Índios, evocando os primórdios da História do Brasil.

- Benedito Calixto tem seis telas na capela do Santíssimo: as de São Tarcísio, São Tomaz de Aquino, São Boaventura, Santa Clara e duas cenas dos Discípulo de Emaús, todas obras de 1918, em muito bom estado de conservação. 

Em cima do o arco de entrada, as figuras vigilantes dos Apóstolos, em mármore, executadas por um grande artista que trabalhou em São Paulo, Willian Zadig. O artista Sandino Manzini assinou os dois Anjos (pinturas murais) que decoram a laterais junto à entrada; e Manzini Sandro, a pintura mural Os Reis Magos; muitas são as pinturas de autoria de Arnaldo Mecozzi que decoram os altares laterais: Fuga para o Egito, São José e o Menino e A Morte de São José – todas de 1918.

Atualmente a Igreja da Consolação vem passando por um processo de restauração e manutenção de sua estrutura e obras de arte.